Bíblia em Arte
"E sabeis que eu sou o Senhor." A frase que ressoa 65 vezes em Ezequiel — o profeta-sacerdote exilado na Babilônia que viu visões de querubins, ossos secos e o templo celestial, e anunciou a glória que partiria e retornaria.
Ezequiel é um dos 66 livros da Bíblia e faz parte do Antigo Testamento (Profetas). Tem 48 capítulos.
A Glória que Parte e a Glória que Volta. Ezequiel filho de Buzi — sacerdote e profeta. Deportado para a Babilônia em 597 a.C. com Joaquim. Profetizou de 593 a 571 a.C. — 22 anos. Contemporâneo de Jeremias (em Jerusalém) e Daniel (na corte). O profeta das visões mais extravagantes (carro divino, ossos secos, templo milênio), da responsabilidade individual (cap.18), e da nova aliança (cap.36-37). O fundador da espiritualidade da diáspora.
A kavod (glória) do Senhor que parte do templo profanado (Ez 10-11) e retorna ao templo restaurado (Ez 43) — o arco dramático do livro.
Ezequiel 37 — o vale dos ossos secos que ganham vida: a ressurreição nacional de Israel e a promessa do Espírito.
Ez 18 — cada um responde por seus próprios pecados; a geração do exílio não é punida pelos pais mas pelos próprios atos.
Ez 40-48 — a visão do templo escatológico com medidas perfeitas, de onde flui o rio da vida (cf. Ap 22).
Sacerdote deportado para a Babilônia em 597 a.C. com o rei Joaquim. Profetizou entre os exilados por 22 anos.
Morre subitamente como sinal profético — Deus proíbe Ezequiel de chorar, para simbolizar que Israel não choraria a queda do templo.
Homem, leão, boi e águia — os querubins da visão inaugural, retomados em Apocalipse como os quatro seres diante do trono.
No exílio junto ao rio Quebar. Uma tempestade do norte. Quatro seres viventes — cada um com quatro faces (homem, leão, boi, águia). Quatro rodas dentro de rodas, cobertas de olhos. Sobre os seres, o firmamento. Sobre o firmamento, um trono de safira. Sobre o trono, uma aparência de homem, envolta em fogo e arco-íris. "Esta era a aparência da glória do Senhor."
"A aparência da semelhança da glória do Senhor" — três camadas de indireção. Não a glória — a aparência da semelhança da glória. Ezequiel acumula qualificadores para proteger a transcendência de Deus. O Deus que não pode ser reduzido à visão.
מַרְאֵה דְּמוּת כְּבוֹד יְהוָה Mareh demut kevod YHWH — "aparência de semelhança de glória do Senhor"; a tripla qualificação. Não é Deus — é aparência de semelhança de glória. A transcendência protegida pela linguagem.
A Merkavah (carro divino de Ez 1) tornou-se o centro da mística judaica — a especulação sobre o trono celeste (literatura Hechalot, séculos 3-7 d.C.). Os Pais da Igreja também usaram Ez 1 como base da angelologia. O texto mais influente do misticismo judaico.
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