Quando João Batista aponta para Jesus e diz "Eis o Cordeiro de Deus", quem ouvia entendeu na hora o peso dessa frase. O cordeiro era a imagem central da Páscoa, o sacrifício que lembrava a libertação do Egito. Na Bíblia, o cordeiro aparece do Gênesis ao Apocalipse, e cada aparição adiciona uma peça à mesma história.
Gênesis 22: "Deus proverá para si o cordeiro"
Abraão sobe o monte com Isaque, que pergunta onde está o cordeiro do sacrifício. A resposta de Abraão é uma das frases mais profundas do livro: Deus proverá para si o cordeiro. No fim, um carneiro aparece preso num arbusto, no lugar de Isaque. Muitos séculos depois, o evangelho de João mostra Deus provendo o seu próprio Filho.
Êxodo 12: o sangue que livra
Na noite da Páscoa, cada família israelita deveria sacrificar um cordeiro sem defeito e marcar a porta com o sangue. Deus prometeu passar por cima das casas marcadas. O cordeiro morria no lugar do primogênito. É a primeira vez que o sacrifício aparece ligado diretamente à libertação de um povo inteiro.
"Vendo eu o sangue, passarei por cima de vós." (Êxodo 12:13)
Isaías 53: o servo levado como um cordeiro
Isaías descreve um servo que seria levado como um cordeiro ao matadouro, sem abrir a boca. Os primeiros cristãos entenderam que esse servo era Jesus. Em Atos 8, Filipe explica essa passagem a um oficial etíope e, a partir dela, anuncia o evangelho.
João 1 e 1 Pedro 1: o cordeiro sem mancha
Em João 1:29, Jesus é apresentado como o Cordeiro que tira o pecado do mundo, no singular e para todos. Pedro escreve que fomos resgatados não com ouro ou prata, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha. A imagem da Páscoa chega ao seu cumprimento.
Do Gênesis ao Apocalipse
O cordeiro não desaparece depois da cruz. No Apocalipse, João vê um Cordeiro que foi morto, mas está de pé, no centro do trono. A história começa com um cordeiro provido e termina com o Cordeiro reinando. Entender essa linha ajuda a ler a Bíblia como um único relato de libertação.