Isaías 53 é um dos textos mais comentados de toda a Bíblia. Escrito cerca de setecentos anos antes de Jesus, descreve um servo que sofre, é rejeitado e morre em favor de outros. Os primeiros cristãos leram essa passagem como retrato da cruz, e é fácil entender por quê.
Desprezado e rejeitado
O capítulo começa dizendo que o servo seria desprezado e rejeitado pelos homens. João 1:11 resume a vida de Jesus com palavras parecidas: veio para o que era seu, e os seus não o receberam. A rejeição não foi um acidente, estava dentro do plano que o profeta viu.
Levou as nossas enfermidades
Isaías diz que o servo levou as nossas enfermidades e carregou as nossas dores. Mateus 8:17 aplica isso às curas de Jesus em Cafarnaum. Já 1 Pedro 2:24 aplica a mesma ideia à cruz: pelas suas feridas fomos sarados. Cura e perdão vêm da mesma fonte.
"O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." (Isaías 53:5)
Levado como cordeiro, mudo diante dos tosquiadores
O versículo 7 descreve o servo como um cordeiro levado ao matadouro, sem abrir a boca. Em Atos 8:32-35, um oficial da Etiópia lê exatamente esse trecho e pergunta de quem o profeta fala. Filipe começa por essa Escritura e anuncia Jesus.
Com os ímpios na morte e com o rico na sepultura
O versículo 9 diz que o servo teria seu túmulo com os ímpios, mas ficaria com o rico na morte. Jesus foi crucificado entre dois malfeitores e, depois, sepultado no túmulo novo de José de Arimateia, um homem rico (Mateus 27:57-60). E o versículo 12 diz que ele foi contado com os transgressores, que Lucas 22:37 aplica a Jesus.
Um convite à confiança
Ler Isaías 53 com os evangelhos ao lado muda a forma como enxergamos a cruz. Não é uma história triste que aconteceu por acaso, é a resposta de Deus ao problema do pecado, anunciada séculos antes. E isso nos dá segurança para confiar no que ainda ele promete.