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Bíblia online · Marcos · Novo Testamento
Capítulo 14 de 16

Marcos 14

A Última Ceia e o Getsêmani

Resumo de Marcos 14

A conspiração. Maria unge Jesus. O pobre sempre tereis — a mim nem sempre. Judas combina com os sumos sacerdotes. A Páscoa preparada. Um de vós me trairá. A Eucaristia: Isto é o meu corpo. Isto é o meu sangue da aliança que é derramado por muitos. Getsêmani: Abba, Pai — tudo te é possível, afasta de mim este cálice — contudo não o que eu quero mas o que tu queres. Os discípulos dormem. Judas beija. Pedro corta a orelha. Diariamente estava ensinando no Templo — e não me prendestes.

Contexto

Abba, Pai — a palavra mais íntima do aramaico para pai, usada pela primeira vez de Deus na Bíblia por Jesus no Getsêmani. A intimidade filial no momento de maior angústia. Paulo dirá: o Espírito nos ensina a clamar Abba (Rm 8:15, Gl 4:6).

Palavra-chave no original

אַבָּא Abba — "Pai/papai"; termo de intimidade filial — não a formalidade religiosa mas o acesso da criança ao pai. Jesus usa no único momento de maior tentação — quando mais precisava do Pai.

Pano de fundo histórico

"Abba" (Mc 14:36) é a única vez que Jesus é registrado usando esta palavra a Deus nos Evangelhos. A preservação do aramaico original no texto grego indica que a comunidade primitiva considerou a palavra tão significativa que não a traduziu.

Abba, Pai! Tudo te é possível; afasta de mim este cálice; todavia, não seja o que eu quero, mas o que tu queres. — Mc 14:36

Leia Marcos 14

1E dali a dois dias era a Páscoa, e a festa dos pães sem fermento; e os chefes dos sacerdotes, e os escribas buscavam um meio de prendê-lo através de um engano, e o matarem. 2Diziam, porém: “Não na festa, para que não aconteça tumulto entre o povo.” 3E estando ele em Betânia, na casa de Simão o Leproso, sentado à mesa, veio uma mulher, que tinha um vaso de alabastro, de óleo perfumado de nardo puro, de muito preço, e quebrando o vaso de alabastro, derramou-o sobre a cabeça dele. 4E houve alguns que em si mesmos se indignaram, e disseram: “Para que foi feito este desperdício do óleo perfumado? 5Porque isto podia ter sido vendido por mais de trezentos denários, e seria dado aos pobres.” E reclamavam contra ela. 6Porém Jesus disse: “Deixai-a; por que a incomodais? Ela me fez boa obra. 7Porque pobres sempre tendes convosco; e quando quiserdes, podeis lhes fazer bem; porém a mim, nem sempre me tendes. 8Esta fez o que podia; adiantou-se para ungir o meu corpo, para a sepultura. 9Em verdade vos digo, que onde quer que em todo o mundo este Evangelho for pregado, também o que esta fez será dito em sua memória.” 10E Judas Iscariotes, um dos doze, foi aos chefes dos sacerdotes, para o entregar a eles. 11E eles ouvindo, alegraram-se; e prometeram lhe dar dinheiro; e buscava como o entregaria em tempo oportuno. 12E o primeiro dia dos pães sem fermento, quando sacrificavam o cordeiro da Páscoa, seus discípulos lhe disseram: “Onde queres que vamos preparar para comerdes a Páscoa?” 13E mandou dois de seus discípulos, e disse-lhes: “Ide à cidade, e um homem que leva um cântaro de água vos encontrará, a ele segui. 14E onde quer que ele entrar, dizei ao senhor da casa: O Mestre diz: Onde está o cômodo onde comerei Páscoa com meus discípulos? 15E ele vos mostrará um grande salão, ornado e preparado; ali fazei os preparativos para nós.” 16E seusdiscípulos saíram, e vieram à cidade, e acharam como havia lhes dito, e prepararam a Páscoa. 17E chegada a tarde, veio com os doze. 18E quando se sentaram à mesa, e comeram, Jesus disse: “Em verdade vos digo, que um de vós, que está comendo comigo, me trairá.” 19E eles começaram a se entristecer, e a lhe dizer um após outro: “Por acaso sou eu?” E outro: “Por acaso sou eu?” 20Porém ele lhes respondeu: “ É um dos doze, o que está molhando a mão comigo no prato. 21Em verdade o Filho do homem vai, como está escrito sobre ele; mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído; bom lhe fosse ao tal homem não haver nascido.” 22E enquanto eles comiam, Jesus tomou o pão; e bendizendo, partiu-o, deu-lhes, e disse: “Tomai, comei, isto é o meu corpo.” 23E tomando o copo, e dando graças, deu-lhes; e todos beberam dele. 24E disse-lhes: “Isto é o meu sangue, o do novo testamento, que é derramado por muitos. 25Em verdade vos digo, que não beberei mais do fruto da vide, até aquele dia, quando o beber novo no Reino de Deus.” 26E depois de cantarem um hino, saíram para o monte das Oliveiras. 27E Jesus lhes disse: “Todos vós falhareis comigo esta noite; porque está escrito: Ferirei ao pastor, e as ovelhas serão dispersas. Zacarias 13:7 28Mas depois de eu haver ressuscitado, irei adiante de vós para a Galileia.” 29E Pedro lhe disse: “Ainda que todos falhem, eu não falharei.” 30Jesus lhe disse: “Em verdade te digo, que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, me negarás três vezes.” 31Mas Pedro, insistindo, dizia: “Ainda que me seja necessário morrer contigo, em maneira nenhuma te negarei.” E todos diziam também da mesma maneira. 32E vieram ao lugar, cujo nome era Getsêmani, e disse a seus discípulos: “Sentai-vos aqui, enquanto eu oro.” 33E tomou consigo Pedro, Tiago, e João, e começou a ficar muito apavorado e angustiado. 34E disse-lhes: “Minha alma totalmente está triste até a morte; ficai-vos aqui, e vigiai.” 35Então ele foi um pouco mais adiante, e prostrou-se em terra. E orou, que se fosse possível, afastasse dele aquela hora. 36E disse: “Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; passa de mim este copo; porém não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres.” 37Depois veio de volta, e os achou dormindo; e disse a Pedro: “Simão, estás dormindo? Não podes vigiar uma hora? 38Vigiai, e orai, para que não entreis em tentação; o espírito em verdade está pronto, mas a carne é fraca.” 39E depois que se foi novamente, orou, dizendo as mesmas palavras. 40Quando voltou, achou-os outra vez dormindo; porque os olhos deles estavam pesados, e não sabiam o que lhe responder. 41E veio a terceira vez, e disse-lhes: “Ainda estais dormindo e descansando? Basta, chegada é a hora. Eis que o Filho do homem é entregue em mãos dos pecadores. 42Levantai-vos, vamos; eis que o que me trai está perto. 43E logo, enquanto ele ainda estava falando, veio Judas, que era um dos doze, e com ele uma grande multidão, com espadas e bastões, da parte dos chefes dos sacerdotes, dos escribas, dos anciãos. 44E o que o traía lhes tinha dado um sinal comum, dizendo: “Ao que eu beijar, é esse; prendei-o, e levai-o em segurança.” 45E quando veio, logo foi-se a ele, e disse-lhe: “Rabi, Rabi”, e o beijou. 46Então o agarraram, e o prenderam. 47E um dos que estavam ali presentes puxou a espada, feriu o servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe a orelha. 48Jesus começou a lhes dizer: “Viestes me prender com espadas e bastões, como se eu fosse um bandido? 49Todo dia eu estava convosco no templo, ensinando, e não me prendestes; mas assim se faz para que as Escrituras se cumpram.” 50Então todos o deixaram, e fugiram. 51E certo rapaz o seguia, envolto num lençol sobre o corpo nu. E os rapazes o agarraram. 52Mas ele largou o lençol, e fugiu deles nu. 53E levaram Jesus ao sumo sacerdote; e ajuntaram-se a ele todos os chefes dos sacerdotes, os anciãos, e os escribas. 54E Pedro o seguiu de longe até dentro do pátio do sumo sacerdote, e ficou sentado com os oficiais, esquentando-se ao fogo. 55E os chefes dos sacerdotes, e todo o supremo conselho buscavam algum testemunho contra Jesus, para o matarem, e não o achavam. 56Porque muitos davam falso testemunho contra ele, mas os testemunhos não concordavam entre si. 57E alguns se levantavam e davam falso testemunho contra ele, dizendo: 58“Nós o ouvimos dizer: Eu derrubarei este templo feito por mãos, e em três dias construirei outro feito não por mãos. 59E nem assim o testemunho deles era concordante. 60Então o sumo sacerdote levantou-se no meio, e perguntou a Jesus: “Não respondes nada? O que estes testemunham contra ti?” 61Mas ele ficou calado, e nada respondeu. O sumo sacerdote voltou a lhe perguntar: “És tu o Cristo, o Filho daquele que é Bendito?” 62Jesus respondeu: “Eu sou. E vereis o Filho do homem sentado à direita do Poderoso, e vindo com as nuvens do céu.” 63E o sumo sacerdote, rasgando suas roupas, disse: “Para que mais necessitamos de testemunhas? 64Vós ouvistes a blasfêmia. Que vos parece?” E todos o condenaram como culpado de morte. 65E alguns começaram a cuspir nele, e a cobrir o rosto dele; e a dar-lhe de socos, e dizer-lhe: “Profetiza”. E os oficiais lhe davam bofetadas. 66E, enquanto Pedro estava no pátio abaixo, veio uma das servas do sumo sacerdote. 67Quando ela viu Pedro, que estava sentado esquentando-se, olhou para ele, e disse: “Também tu estavas com Jesus, o Nazareno.” 68Mas ele negou, dizendo: “Não o conheço, nem sei o que dizes.”; e saiu para o alpendre. Então o galo cantou. 69A serva o viu outra vez, e começou a dizer aos que ali estavam: “Este é um deles”. 70Mas ele o negou de novo. E pouco depois, outra vez os que ali estavam disseram a Pedro: “Verdadeiramente tu és um deles; pois também és galileu”, e a tua fala é semelhante”. 71Então ele começou a amaldiçoar e a jurar, dizendo: “Não conheço esse homem de quem dizeis.” 72O galo cantou a segunda vez. E Pedro se lembrou da palavra que Jesus havia lhe dito: “Antes que o galo cante duas vezes, tu me negarás três vezes.” Então ele retirou-se dali e chorou.

Texto bíblico: Bíblia Livre (BLIVRE), © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil (creativecommons.org/licenses/by/4.0/br/).

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